Até lá... paciência.
Sábado, Setembro 28, 2002
Quarta-feira, Setembro 25, 2002
Bom, lá vai de novo...
Eu dizia que os perfis mais interessantes de candidatos são esse e esse.
E podem dizer o que quiserem, mas eu acho que os mestres do marketing político são os caras do PSTU. Quem se esquece de "contra burguês, vote 16"? É ainda melhor do que "tem coisas - bum! - que só a philco faz pra você". Era a Philco ou a Phillips? Tá vendo como a propaganda não era tão boa?
Ah, e mais um fato digno de nota - tentei entrar no Site do PSTU, mas ele estava apresentando problemas. O engraçado é que aparecia uma mensagem do tipo "Microsoft SQL Server Error '80001'"
PSTU não combina com Microsoft... ou combina?
Eu dizia que os perfis mais interessantes de candidatos são esse e esse.
E podem dizer o que quiserem, mas eu acho que os mestres do marketing político são os caras do PSTU. Quem se esquece de "contra burguês, vote 16"? É ainda melhor do que "tem coisas - bum! - que só a philco faz pra você". Era a Philco ou a Phillips? Tá vendo como a propaganda não era tão boa?
Ah, e mais um fato digno de nota - tentei entrar no Site do PSTU, mas ele estava apresentando problemas. O engraçado é que aparecia uma mensagem do tipo "Microsoft SQL Server Error '80001'"
PSTU não combina com Microsoft... ou combina?
Eu acho que não sou o primeiro a dizer isso, nem vou ser o último, nem me sinto original por elaborar essa frase, pelo contrário, me sinto bem repetitivo e até mesmo óbvio, mas se o Lula não ganhar dessa vez, não ganha mais.
Segunda-feira, Setembro 23, 2002
Hoje eu me toquei de que pra maioria das religiões - senão todas - dúvida é pecado.
Parece uma coisa óbvia - aliás, é mesmo uma coisa óbvia. O que não é tão óbvio são as implicações.
É pela dúvida que acontecem as transformações: "eu duvido que isso seja mesmo assim". É claro que alguém pode dizer que "eu acredito que isso possa ser diferente" é equivalente - mas o quê de dúvida é o mesmo, nas duas formas. Com a segunda, no fundo, você só diz que acredita na dúvida.
Parece uma coisa óbvia - aliás, é mesmo uma coisa óbvia. O que não é tão óbvio são as implicações.
É pela dúvida que acontecem as transformações: "eu duvido que isso seja mesmo assim". É claro que alguém pode dizer que "eu acredito que isso possa ser diferente" é equivalente - mas o quê de dúvida é o mesmo, nas duas formas. Com a segunda, no fundo, você só diz que acredita na dúvida.
Sábado, Setembro 21, 2002
As pessoas são estranhas. Lá no fundo de sua personalidade, cada pessoa busca um mundo utópico onde todo o resto do mundo pense exatamente do mesmo jeito que ela.
É claro que isso é inconsciente - ninguém aceitaria a idéia de viver em um lugar onde todas as pessoas são iguais, ainda mais todas iguais ao sujeito. Mas, no dia-a-dia, todos lutam incessantemente buscando pequenas vitórias que o levem na direção desse mundo utópico e horrível.
É claro que isso é inconsciente - ninguém aceitaria a idéia de viver em um lugar onde todas as pessoas são iguais, ainda mais todas iguais ao sujeito. Mas, no dia-a-dia, todos lutam incessantemente buscando pequenas vitórias que o levem na direção desse mundo utópico e horrível.
Sexta-feira, Setembro 20, 2002
Uma observação sobre o post anterior:
Se a pessoa A discute com a pessoa B sobre um assunto qualquer, e A convence B que A está certo, e B muda a sua opinião, então quem ganhou na discussão foi B, e não A.
Porque A não ganhou absolutamente nada - no máximo, só alguma experiência em debates. E assumindo que o ganhador da discussão é sempre a pessoa que está com a opinião correta, então quem acaba ganhando é B, que tinha uma opinião errada que passou a ser certa. Ou seja, ele melhorou depois do debate.
Se a pessoa A discute com a pessoa B sobre um assunto qualquer, e A convence B que A está certo, e B muda a sua opinião, então quem ganhou na discussão foi B, e não A.
Porque A não ganhou absolutamente nada - no máximo, só alguma experiência em debates. E assumindo que o ganhador da discussão é sempre a pessoa que está com a opinião correta, então quem acaba ganhando é B, que tinha uma opinião errada que passou a ser certa. Ou seja, ele melhorou depois do debate.
Ser chato tem um certo quê de artista. Quer dizer, ser chato mesmo é fácil, o difícil é ser chato e ser aceito no grupo como "o chato", de quem no fundo as pessoas gostam.
O chato insuportável, que só é aceito em círculos muito reduzidos, não tira sarro de ninguém. Pelo menos não na frente do seu alvo. Aliás, ele está sempre tentando agradar as pessoas que estão por perto. Ele quer ser o centro das atenções, o cara legal que todo mundo chama de "figura". Aliás, seu objetivo utópico é ser conhecido como o "maluco gente boa", um cara diferente, interessante e ao mesmo tempo com personalidade forte.
Mas personalidade é uma coisa que o chato insuportável não tem. Ele tenta descobrir as coisas que agradam a quem está por perto pra ser mais interessante. As pessoas que tentam ser interessantes o tempo todo são as mais irritantes de todas. Na verdade, ele tem opiniões próprias, fundadas muitas vezes em princípios absurdos e extremamente discutíveis, mas que defende - depois de achar que tem conquistada a sua posição de líder dentro do grupo - com devoção inabalável.
Ele pensa que mudar de idéia é equivalente a perder. Acha que está cedendo espaço. Pode até concordar com alguém temporariamente, pra ganhar intimidade, mas são só aparências. Acima de tudo, o chato insuportável é um teimoso. E a condição única sobre a qual se constrói toda essa personalidade é uma burrice insuspeitada - pelo menos por ele mesmo.
Se ele não é identificado rapidamente, se confunde com o que os livros de auto-ajuda chamam de "um líder nato".
O chato insuportável, que só é aceito em círculos muito reduzidos, não tira sarro de ninguém. Pelo menos não na frente do seu alvo. Aliás, ele está sempre tentando agradar as pessoas que estão por perto. Ele quer ser o centro das atenções, o cara legal que todo mundo chama de "figura". Aliás, seu objetivo utópico é ser conhecido como o "maluco gente boa", um cara diferente, interessante e ao mesmo tempo com personalidade forte.
Mas personalidade é uma coisa que o chato insuportável não tem. Ele tenta descobrir as coisas que agradam a quem está por perto pra ser mais interessante. As pessoas que tentam ser interessantes o tempo todo são as mais irritantes de todas. Na verdade, ele tem opiniões próprias, fundadas muitas vezes em princípios absurdos e extremamente discutíveis, mas que defende - depois de achar que tem conquistada a sua posição de líder dentro do grupo - com devoção inabalável.
Ele pensa que mudar de idéia é equivalente a perder. Acha que está cedendo espaço. Pode até concordar com alguém temporariamente, pra ganhar intimidade, mas são só aparências. Acima de tudo, o chato insuportável é um teimoso. E a condição única sobre a qual se constrói toda essa personalidade é uma burrice insuspeitada - pelo menos por ele mesmo.
Se ele não é identificado rapidamente, se confunde com o que os livros de auto-ajuda chamam de "um líder nato".
Hoje me lembrei que esqueci de comentar o caso da Lola Moon...
Bom, de qualquer forma, todo mundo já sabia (ou agora vai saber) que eu achava ela uma escrota há muito tempo, e que nossos sentimentos eram recíprocos.
Bom, de qualquer forma, todo mundo já sabia (ou agora vai saber) que eu achava ela uma escrota há muito tempo, e que nossos sentimentos eram recíprocos.
Quarta-feira, Setembro 18, 2002
Aqui tem um "artigo" longo do The Onion sobre as previsões do famoso Criswell, o cara que aparece no começo do Plan Nine from Outer Space, do Ed Wood - famoso por ser considerado o pior diretor de cinema da história de Holywood.
O site é muito engraçado, descreve previsões como a destruição de Denver ou de Londres, e uma convenção intergalática em Marte.
O site é muito engraçado, descreve previsões como a destruição de Denver ou de Londres, e uma convenção intergalática em Marte.
Segunda-feira, Setembro 16, 2002
Sábado à tarde, na avenida principal da minha cidade, me deparei com um dos anúncios mais estranhos da minha vida - um carro de som, com uma música ininterrupta:
"Quinze, dois, cinco, dois, uma estrela me chamaaaa
Quinze, dois, cinco, dois, estadual é Silvana"
Como se isso já não bastasse, a cada 10 repetições do refrão infernal, entrava uma outra voz, dizendo:
"Você precisa de dinheiro? Fale com o Victor. Empréstimo sem comprovação de renda, a juros de mercado. 9232-4356. "
O estranho é que não dá pra saber o que é o intervalo comercial do quê. Totalmente bizarro.
Ah, e o número do celular do Victor eu não lembro, mas o da Silvana deve ser esse mesmo. Votem nela, se querem uma deputada com marketing inteligente.
"Quinze, dois, cinco, dois, uma estrela me chamaaaa
Quinze, dois, cinco, dois, estadual é Silvana"
Como se isso já não bastasse, a cada 10 repetições do refrão infernal, entrava uma outra voz, dizendo:
"Você precisa de dinheiro? Fale com o Victor. Empréstimo sem comprovação de renda, a juros de mercado. 9232-4356. "
O estranho é que não dá pra saber o que é o intervalo comercial do quê. Totalmente bizarro.
Ah, e o número do celular do Victor eu não lembro, mas o da Silvana deve ser esse mesmo. Votem nela, se querem uma deputada com marketing inteligente.
Sábado, Setembro 14, 2002
Agora que a onda dos reality shows deu uma diminuída, o que está na moda é a campanha eleitoral.
Chega a ser irônico: as pessoas se cansaram tanto dos shows de realidade que agora se empolgam assistindo os fake shows dos candidatos.
Chega a ser irônico: as pessoas se cansaram tanto dos shows de realidade que agora se empolgam assistindo os fake shows dos candidatos.
"Life is like a shooting star
It don't matter who you are
If you only run for cover, it's just a waste of time"
Live - The Dolphins Cry
It don't matter who you are
If you only run for cover, it's just a waste of time"
Live - The Dolphins Cry
Sexta-feira, Setembro 13, 2002
Seção Conversa com um Vegetariano Vegetativo nº3
Por um Ser Humano que se orgulhe de ser o topo da cadeia alimentar
VV: - Eu não como carne vermelha nem vegetais com muita química.
CI: - Como assim, muita química?
VV: Muita química, ué. Muitos elementos químicos.
CI: Cara, então você não devia comer nada, porque tudo é constituído de elementos químicos.
VV: Ah, você sabe do que eu tou falando, muitas reações químicas.
CI: Você não tem idéia da quantidade de reações químicas que estão acontecendo no seu corpo, agora.
VV: - Caramba, você entendeu, tou falando de pesticidas, essas coisas.
CI: - Ah, sim, você está falando dos produtos que evitam pragas e doenças nas lavouras, muitas das quais podem até causar prejuízos à saúde humana, isso?
- Hum... acho que sim.
Por um Ser Humano que se orgulhe de ser o topo da cadeia alimentar
VV: - Eu não como carne vermelha nem vegetais com muita química.
CI: - Como assim, muita química?
VV: Muita química, ué. Muitos elementos químicos.
CI: Cara, então você não devia comer nada, porque tudo é constituído de elementos químicos.
VV: Ah, você sabe do que eu tou falando, muitas reações químicas.
CI: Você não tem idéia da quantidade de reações químicas que estão acontecendo no seu corpo, agora.
VV: - Caramba, você entendeu, tou falando de pesticidas, essas coisas.
CI: - Ah, sim, você está falando dos produtos que evitam pragas e doenças nas lavouras, muitas das quais podem até causar prejuízos à saúde humana, isso?
- Hum... acho que sim.
Seria muito, muito engraçado se o Ciro desistisse mesmo da campanha pra apoiar o Lula. Tenho certeza de que o grupo de pensadores liberais que apóiam o Ciro iriam adorar.
Quarta-feira, Setembro 11, 2002
Seção Conversa com um Vegetariano Vegetativo nº 2
Por um mundo com mais picanha
VV: - Cara, você acha que o microondas pode mesmo ser prejudicial à saúde, por causa da radiação, essas coisas?
CI- Sim, eu tenho certeza quase absoluta disso. (enquanto colocava comida pra aquecer no microondas)
Por um mundo com mais picanha
VV: - Cara, você acha que o microondas pode mesmo ser prejudicial à saúde, por causa da radiação, essas coisas?
CI- Sim, eu tenho certeza quase absoluta disso. (enquanto colocava comida pra aquecer no microondas)
Seção Conversa com um Vegetariano Vegetativo
Por um mundo com mais picanha
Carnívoro Inconseqüente (CI): - Se você não come carne por não se sentir bem comendo carne, então faz sentido ser vegetariano. Mas se faz isso porque acha que é mais saudável, tá muito enganado.
Vegetariano Vegetativo (VV): - Que nada, eu já falei com o médico, ele disse que ser vegetariano é muito mais saudável do que ser carnívoro.
CI: - Se isso que você falou fosse verdade, os leões estariam extintos e os alces dominariam a Terra.
Por um mundo com mais picanha
Carnívoro Inconseqüente (CI): - Se você não come carne por não se sentir bem comendo carne, então faz sentido ser vegetariano. Mas se faz isso porque acha que é mais saudável, tá muito enganado.
Vegetariano Vegetativo (VV): - Que nada, eu já falei com o médico, ele disse que ser vegetariano é muito mais saudável do que ser carnívoro.
CI: - Se isso que você falou fosse verdade, os leões estariam extintos e os alces dominariam a Terra.
Terça-feira, Setembro 10, 2002
- Na minha época, todo mundo sabia o Hino Nacional de cor. Os cadernos vinham com o Hino escrito na contracapa.
- Mas isso existe até hoje, não?
- Existe sim...
- Mas era todo mundo obrigado a cantar o Hino antes de entrar pra aula.
- Isso é coisa de ditadura militar...
- Não, ainda acontecia, ou acontece, não sei, bem depois da ditadura.
- Mas não deixa de ser resquício de ditadura... Obrigar alguém a cantar o Hino é meio estranho. É como aula de religião...
- Hum...
- Na minha época, tinha aula de religião em todas as escolas.
- Eu também tive isso, é horrível. Eu me lembro de um amigo evangélico, que tinha que pedir autorização pra sair da sala nesses momentos.
- É... mas é como quando eu fui pra uma igreja crente com uma amiga... eu não rezava, fiquei lá quietinha no meu canto.
- A diferença é que eu estava em uma escola, e você em uma igreja.
- ...
- Mas isso existe até hoje, não?
- Existe sim...
- Mas era todo mundo obrigado a cantar o Hino antes de entrar pra aula.
- Isso é coisa de ditadura militar...
- Não, ainda acontecia, ou acontece, não sei, bem depois da ditadura.
- Mas não deixa de ser resquício de ditadura... Obrigar alguém a cantar o Hino é meio estranho. É como aula de religião...
- Hum...
- Na minha época, tinha aula de religião em todas as escolas.
- Eu também tive isso, é horrível. Eu me lembro de um amigo evangélico, que tinha que pedir autorização pra sair da sala nesses momentos.
- É... mas é como quando eu fui pra uma igreja crente com uma amiga... eu não rezava, fiquei lá quietinha no meu canto.
- A diferença é que eu estava em uma escola, e você em uma igreja.
- ...
Domingo, Setembro 08, 2002
Fato que devia ser trivial, mas se tornou digno de nota apenas por sua inexplicável raridade: hoje, ao passar pelo pedágio, vi que uma das cobradoras era muito, muito bonita.
Duas passagens de "O Processo", do Kafka. A segunda é bem longa. Mas é muito, muito boa.
"É certo que a lógica é inquebrantável, mas não pode opor-se a um homem que quer viver."
"Diante da lei está postado um guarda. Até ele se chega um homem do campo que lhe pede que o deixe entrar na lei. Mas o sentinela lhe diz que nesse momento não é permitido entrar. O homem reflete e depois pergunta se mais tarde lhe será permitido entrar. 'É possível', diz o guarda, 'mas agora não'. A grande porta que dá para a lei está aberta de par em par como sempre, e o guarda se põe de lado; então o homem, inclinando-se para frente, olha para o interior através da porta. Quando o guarda percebe isso desata a rir e diz: 'Se tanto te atrai entrar, procura fazê-lo não obstante a minha proibição. Mas guarda bem isto: eu sou poderoso e contudo não sou mais do que o guarda mais inferior; em cada uma das salas existem outros sentinelas, um mais poderoso do que o outro. Eu não posso suportar já sequer o olhar do terceiro'. O camponês não esperara tais dificuldades; parece-lhe que a lei tem de ser acessível sempre a todos, mas agora que examina com maior atenção o guarda, envolto em seu abrigo de peles, que tem grande nariz pontiagudo e barba longa, delgada e negra à moda dos tártaros, decide que é melhor esperar até que lhe dêem permissão para entrar. O guarda dá-lhe então um escabelo e o faz sentar-se a um lado, frente à porta. Ali passa o homem, sentado, dias e anos. Faz infinitas tentativas para entrar na lei e cansa o sentinela com suas súplicas. O sentinela às vezes o submete a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe por sua pátria e por muitas outras coisas, mas no fundo não lhe interessam especialmente as respostas. Pergunta como o faria um grande senhor; e sempre termina por manisfestar-lhe que ainda não pode entrar. O homem, que para realizar aquela viagem, teve de se abastecer de muitas coisas, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo, mas diz: 'Aceito-o apenas para que não julgues que te descuidaste de alguma coisa'. Durante muitos anos aquele homem não afasta seus olhos do sentinela. Esquece-se dos outros sentinelas e chega a parecer-lhe que este primeiro é o único obstáculo que lhe impede de entrar na lei. Nos primeiros anos maldiz a gritos sua funesta sorte, mas depois, quando se torna velho, limita-se a grunhir entre dentes. E, como nos longos anos que passou estudando o sentinela, chega a conhecer também as pulgas de seu abrigo de pele, tornando outra vez à infância, roga até a essas pulgas que o auxiliem a quebrar a resistência do guarda. Por fim vê que a luz que seus olhos percebem é mais fraca e não consegue distinguir se realmente se fez noite ao redor dele ou se simplesmente são seus olhos que o enganam. Mas agora, em meio às trevas, percebe um raio de luz inextinguível através da porta. Resta-lhe pouca vida. Antes de morrer concentram-se em sua mente todas as lembranças e pensamentos daquele tempo em uma pergunta que até esse momento não tinha formulado ao sentinela. Como seu corpo já rígido não se pode mover, faz um sinal ao guarda para que se aproxime. Este precisa inclinar-se profundamente pois a diferença de dimensões entre um e outro chegou a fazer-se muito grande em virtude do empequenecimento do homem. 'Que é o que ainda queres saber?', pergunta o sentinela. 'És incontestável'. 'Dize-me', diz o homem,'se todos desejam entrar na lei, como se explica que em tantos anos ninguém, além de mim, tenha pretendido fazê-lo?' O guarda percebe que o homem está já às portas da morte, de modo que para alcançar o seu ouvido moribundo ruge sobre ele: 'Ninguém senão tu podia entrar aqui, pois esta entrada estava destinada apenas para ti. Agora eu me vou e a fecho.'"
"É certo que a lógica é inquebrantável, mas não pode opor-se a um homem que quer viver."
"Diante da lei está postado um guarda. Até ele se chega um homem do campo que lhe pede que o deixe entrar na lei. Mas o sentinela lhe diz que nesse momento não é permitido entrar. O homem reflete e depois pergunta se mais tarde lhe será permitido entrar. 'É possível', diz o guarda, 'mas agora não'. A grande porta que dá para a lei está aberta de par em par como sempre, e o guarda se põe de lado; então o homem, inclinando-se para frente, olha para o interior através da porta. Quando o guarda percebe isso desata a rir e diz: 'Se tanto te atrai entrar, procura fazê-lo não obstante a minha proibição. Mas guarda bem isto: eu sou poderoso e contudo não sou mais do que o guarda mais inferior; em cada uma das salas existem outros sentinelas, um mais poderoso do que o outro. Eu não posso suportar já sequer o olhar do terceiro'. O camponês não esperara tais dificuldades; parece-lhe que a lei tem de ser acessível sempre a todos, mas agora que examina com maior atenção o guarda, envolto em seu abrigo de peles, que tem grande nariz pontiagudo e barba longa, delgada e negra à moda dos tártaros, decide que é melhor esperar até que lhe dêem permissão para entrar. O guarda dá-lhe então um escabelo e o faz sentar-se a um lado, frente à porta. Ali passa o homem, sentado, dias e anos. Faz infinitas tentativas para entrar na lei e cansa o sentinela com suas súplicas. O sentinela às vezes o submete a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe por sua pátria e por muitas outras coisas, mas no fundo não lhe interessam especialmente as respostas. Pergunta como o faria um grande senhor; e sempre termina por manisfestar-lhe que ainda não pode entrar. O homem, que para realizar aquela viagem, teve de se abastecer de muitas coisas, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo, mas diz: 'Aceito-o apenas para que não julgues que te descuidaste de alguma coisa'. Durante muitos anos aquele homem não afasta seus olhos do sentinela. Esquece-se dos outros sentinelas e chega a parecer-lhe que este primeiro é o único obstáculo que lhe impede de entrar na lei. Nos primeiros anos maldiz a gritos sua funesta sorte, mas depois, quando se torna velho, limita-se a grunhir entre dentes. E, como nos longos anos que passou estudando o sentinela, chega a conhecer também as pulgas de seu abrigo de pele, tornando outra vez à infância, roga até a essas pulgas que o auxiliem a quebrar a resistência do guarda. Por fim vê que a luz que seus olhos percebem é mais fraca e não consegue distinguir se realmente se fez noite ao redor dele ou se simplesmente são seus olhos que o enganam. Mas agora, em meio às trevas, percebe um raio de luz inextinguível através da porta. Resta-lhe pouca vida. Antes de morrer concentram-se em sua mente todas as lembranças e pensamentos daquele tempo em uma pergunta que até esse momento não tinha formulado ao sentinela. Como seu corpo já rígido não se pode mover, faz um sinal ao guarda para que se aproxime. Este precisa inclinar-se profundamente pois a diferença de dimensões entre um e outro chegou a fazer-se muito grande em virtude do empequenecimento do homem. 'Que é o que ainda queres saber?', pergunta o sentinela. 'És incontestável'. 'Dize-me', diz o homem,'se todos desejam entrar na lei, como se explica que em tantos anos ninguém, além de mim, tenha pretendido fazê-lo?' O guarda percebe que o homem está já às portas da morte, de modo que para alcançar o seu ouvido moribundo ruge sobre ele: 'Ninguém senão tu podia entrar aqui, pois esta entrada estava destinada apenas para ti. Agora eu me vou e a fecho.'"
Quinta-feira, Setembro 05, 2002
Não importa onde você esteja, sempre vai ter um idiota pra te encher o saco.
Mesmo que você esteja sozinho... aí o idiota vai ser você.
Mesmo que você esteja sozinho... aí o idiota vai ser você.
Essa eleição tá tão confusa que nem os próprios candidatos sabem se são de esquerda ou de direita. E sempre fogem dessa pergunta, que invariavelmente fazem uns aos outros durante os debates.
A cada dia eu encontro menos coisas diferentes na internet. E a cada dia, as coisas diferentes são menos engraçadas. A pergunta é... está tudo caindo em um mesmismo crônico, o meu gosto está ficando mais apurado, ou eu simplesmente estou ficando mais chato?
Eu só consigo definir quem ganhou ou perdeu um debate depois de ler na Folha os comentários dos colunistas. Dos colunistas, não dos editoriais. Tá, de alguns colunistas. Tá, bem poucos. Um ou dois. E me sinto mal por ser influenciado. Tá, eu decido sozinho se alguém ganhou ou perdeu o debate. E fodam-se os editoriais e o Olavo de Carvalho, que pensam exatamente o contrário.

