"Malvada! - retorquiu o pequeno, jogando a cabeça para trás num pequeno movimento de cólera e orgulho.
Elinor, que o estava observando, quase riu alto. Aquele súbito erguer de queixo - ora! - era a paródia do gesto de superioridade do velho Mr. Quarles. Por um momento o pequeno tranformou-se no sogro de Elinor, no seu absurdo e deplorável sogro: uma caricatura miniatural. Era cômico, mas ao mesmo tempo de de certo modo não era uma brincadeira. Ela quis rir, mas sentiu-se oprimida por uma consciência súbita dos mistérios de das complexidades da vida, pelas inescrutabilidades do futuro. Ali estava o seu filho - mas ele era igualmente Phillip, era também ela própria, era também Walter, era o avô e avó maternos, e agora, com aquele alçar de queixo, tinha se repentinamente revelado como sendo também o delplorável Mr. Quarles. E podia ser centenas de pessoas de outras pessoas também. Podia ser? Certamente era. Era tios e primos que Elinor mal conhecia; avôs e tios-avôs que ela só vira quando criança e que esquecera completamente; antepassados que tinham morrido havia muito - e que remontam à origem das coisas. Tôda uma população de desconhecidos habitava aquele corpinho e lhe dava forma, morava naquele espírito e controlava seus desejos, ditava-lhe os pensamentos e havia de continuar a ditar e controlar... Phil, o pequeno Phil - esse nome era uma abstração, um título dado arbitrariamente, como "França" ou "Inglaterra", a uma coletividade, nunca por muito tempo a mesma, de muitos indivíduos que nasciam, viviam e morriam em seu ser, como os habitantes dum país aparecem e desaparecem, deixando, porém, viva em sua passagem a identidade da nação a que pertencem."
Paulo Coelho seria capaz de escrever isso?